sexta-feira, 3 de julho de 2015

Capítulo 15 – O INSTANTE SANTO 11. O Natal como o fim do sacrifício

1. Não tenhas medo de reconhecer que toda a idéia de sacrifício foi feita só por ti. E não busques segurança tentando proteger-te do lugar onde essa idéia não está. Os teus irmãos e o teu Pai tornaram-se muito amedrontadores para ti. E queres barganhar com eles por uns poucos relacionamentos especiais, nos quais pensas ver alguns restos de segurança. Não tentes mais manter à parte os teus pensamentos e o Pensamento que te foi dado. Quando são reunidos e percebidos onde estão, a escolha entre eles não é nada além de um gentil despertar e é tão simples como abrir os olhos à luz do dia, quando não tens mais necessidade de sono.

2. O sinal do Natal é uma estrela, uma luz na escuridão. Não a vejas fora de ti, mas brilhando no Céu interior e aceita-a como o sinal de que o tempo de Cristo veio. Ele vem sem nada exigir. Ele não pede nenhum sacrifício de ninguém. Na Presença de Cristo, toda a idéia de sacrifício perde qualquer significado. Pois Ele é o Anfitrião de Deus. E tu só precisas convidá-Lo em Quem já está presente, reconhecendo que o Seu Anfitrião é Um só e nenhum pensamento alheio à Sua Unicidade pode habitar com Ele. O amor tem que ser total para dar boas-vindas a Ele, pois a Presença da santidade cria a santidade que a cerca. Nenhum medo e capaz de afetar o Anfitrião Que embala Deus no tempo de Cristo, pois o Anfitrião é tão santo quanto a Perfeita Inocência que Ele protege e Cujo poder O protege.

3. Nesse Natal, dá ao Espírito Santo tudo o que iria ferir-te. Deixa que sejas completamente curado, de modo que possas unir-te a Ele na cura e festejemos nossa liberação juntos, liberando todas as pessoas conosco. Não deixes nada para trás, pois a liberação é total e quando a tiveres aceito comigo, tu a darás comigo. Toda dor, todo sacrifício e toda pequenez desaparecerão em nosso relacionamento, que é tão inocente e tão poderoso quanto o nosso relacionamento com o nosso Pai. A dor nos será trazida e desaparecerá na nossa presença e sem dor não pode haver sacrifício. E sem sacrifício, tem que haver amor.

4. Tu, que acreditas que o sacrifício e amor, precisas aprender que o sacrifício é a separação do amor. Pois o sacrifício traz culpa com tanta certeza quanto o amor traz paz. A culpa é a condição do sacrifício, assim como a paz é a condição para a conscientização do teu relacionamento com Deus. Através da culpa, excluis o teu Pai e os teus irmãos de ti mesmo. Através da paz, os chamas de volta, reconhecendo que eles estão onde o teu convite lhes pede para estar. Aquilo que excluis de ti mesmo parece amedrontador, porque o medo é o dote que tu lhe dás e tentas marginalizá-lo, embora seja parte de ti. Quem é capaz de perceber uma parte sua como indigna e ainda assim viver em paz consigo mesmo? E quem é capaz de tentar resolver o "conflito" do Céu e do inferno dentro de si, rejeitando o Céu e atribuindo a Ele as qualidades do inferno, sem vivenciar a si mesmo como incompleto e solitário?

5. Enquanto perceberes o corpo como a tua realidade, vais perceber a ti mesmo como solitário e destituído. E, enquanto isso durar, também vais perceber a ti mesmo como vítima de sacrifício, justificado em sacrificar a outros. Pois quem poderia deixar de lado o Céu e o seu próprio Criador sem um sentido de sacrifício e de perda? E quem poderia sofrer sacrifício e perda sem tentar restaurar-se? No entanto, como poderia realizar isso por si mesmo, quando a base das suas tentativas é a crença na realidade da privação? A privação gera o ataque, sendo a crença em que o ataque é justificado. E enquanto queres reter a privação, o ataque vem a ser salvação e o sacrifício vem a ser amor.

6. É assim que, em toda a tua busca de amor, na verdade buscas o sacrifício e o achas. E, no entanto, não achas o amor. É impossível negar o que é o amor e ainda reconhecê-lo. O significado do amor está no que colocaste fora de ti e ele não tem nenhum significado à parte de ti. É o que preferes guardar que não tem significado, enquanto tudo que queres manter longe de ti retém todo o significado do universo e mantém o universo unido em seu significado. A menos que o universo esteja unido em ti, ele estará separado de Deus e ser sem Ele é ser sem significado.

7. No instante santo, a condição do amor é satisfeita pois as mentes estão unidas sem a interferência dos corpos e onde há comunicação, há paz. O Príncipe da Paz nasceu para restabelecer a condição do amor, ensinando que a comunicação permanece ininterrupta mesmo se o corpo é destruído, desde que não vejas o corpo como o meio necessário para a comunicação. E se compreendes essa lição, vais reconhecer que sacrificar o corpo é não sacrificar nada e a comunicação, que tem que ser da mente, não pode ser sacrificada. Onde está, então, o sacrifício? A lição que eu nasci para ensinar e ainda quero ensinar a todos os meus irmãos é que o sacrifício não está em parte alguma e o amor está em toda parte. Pois a comunicação tudo abrange e na paz que ela restabelece, o amor vem por si mesmo.

8. Não deixes nenhum desespero escurecer a alegria do Natal, pois o tempo de Cristo não tem significado à margem da alegria. Vamos nos unir na celebração da paz, sem pedir sacrifício algum de pessoa alguma, pois assim me ofereces o amor que eu te ofereço. O que pode trazer mais alegria do que perceber que não estamos privados de nada? Tal é a mensagem do tempo de Cristo, que eu te dou, de forma que possas dá  la e devolvê-la ao Pai, Que a deu a mim. Pois no tempo de Cristo a comunicação é restaurada e Ele une-Se a nós na celebração da criação de Seu Filho.

9. Deus oferece gratidão ao anfitrião santo que quer recebê-Lo e que O deixa entrar e habitar onde Ele quer estar. E pelas tuas boas-vindas Ele também te dá boas-vindas em Si Mesmo, pois o que está contido em ti, que Lhe dás boas-vindas, é devolvido a Ele. E nós apenas celebramos a Sua Integridade quando damos boas-vindas a Ele em nós mesmos. Aqueles que recebem o Pai são um com Ele, sendo anfitriões para com Aquele Que os criou. E por permitir que Ele entre, a lembrança do Pai entra com Ele e com Ele aqueles que O recebem se lembram do único relacionamento que jamais tiveram e jamais querem ter.

10. Esse é o tempo em que logo um novo ano nascerá do tempo de Cristo. Eu tenho fé perfeita em ti, no sentido de que farás tudo o que queres realizar. Nada estará faltando e tu farás com que seja completo e não destruirás. Dize, então, ao teu irmão:

Eu te dou ao Espírito Santo como parte de mim mesmo.
Eu sei que serás liberado, a não ser que eu queira usar-te para me aprisionar.
Em nome da minha liberdade eu escolho a tua liberação, porque reconheço que nós seremos liberados
juntos. 

Assim começará o ano em alegria e liberdade. Há muito a fazer e nós temos estado muito atrasados. Aceita o instante santo enquanto esse ano nasce e toma o teu lugar, por tanto tempo vago, no Grande Despertar. Faze com que esse ano seja diferente fazendo com que tudo seja o mesmo. E permite que todos os teus relacionamentos sejam santificados para ti. Essa é a nossa vontade. Amém.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Capítulo 15 – O INSTANTE SANTO 10. O tempo do renascimento

1. Está em teu poder, no tempo, atrasar a união perfeita do Pai e do Filho. Pois nesse mundo a atração da culpa, de fato, se interpõe entre eles. Nem o tempo nem a estação do ano significam coisa alguma na eternidade. Mas aqui é função do Espírito Santo usar ambos, embora não da maneira como o ego os usa. Essa é a estação em que celebrarias o meu nascimento no mundo. No entanto, não sabes como fazê-lo. Deixa que o Espírito Santo te ensine e permite que eu celebre o teu nascimento através Dele. A única dádiva que eu posso aceitar de ti é a dádiva que eu te dei. Libera-me como eu escolho a tua própria liberação. O tempo de Cristo nós celebramos juntos, pois ele não tem significado se estivermos separados.

2. O instante santo é verdadeiramente o tempo de Cristo. Nesse instante de liberação, nenhuma culpa é colocada sobre o Filho de Deus e seu poder ilimitado lhe é assim restaurado. Que outra dádiva podes me oferecer, quando eu escolho apenas isso para te oferecer? E ver a mim é ver-me em todas as pessoas e oferecer a todos a dádiva que ofereceste a mim. Sou tão incapaz de receber qualquer sacrifício quanto Deus e todo sacrifício que pedes a ti mesmo, pedes a mim. Aprende agora que qualquer espécie de sacrifício não é senão uma limitação imposta ao dar. E através dessa limitação, limitaste a aceitação da dádiva que eu te ofereço.

3. Nós, que somos um, não podemos dar separadamente. Quando estiveres disposto a aceitar o nosso relacionamento como real, a culpa não exercerá nenhuma atração sobre ti. Pois em nossa união, aceitarás todos os nossos irmãos. A dádiva da união é a única dádiva que eu nasci para dar. Dá a mim essa dádiva de forma que tu a possas ter. O tempo de Cristo é o tempo indicado para a dádiva da liberdade, oferecida a todas as pessoas. E através da tua aceitação, tu a estás oferecendo a todos.

4. Está em teu poder tornar santa essa estação, pois está em teu poder fazer com que o tempo de Cristo seja agora. É possível fazer isso tudo imediatamente, pois não existe senão um deslocamento de percepção que é necessário, já que cometeste apenas um equívoco. Parecem muitos, mas todos são o mesmo. Pois embora o ego tome muitas formas, é sempre a mesma idéia. O que não é amor, é sempre medo e nada mais.

5. Não é necessário seguir o medo por todas as rotas tortuosas pelas quais ele se enterra sob o solo e se esconde na escuridão, para emergir em formas bastante diferentes do que é. No entanto, é necessário examinar cada uma delas enquanto queres reter o princípio que governa a todas. Quando estás disposto a considerá-las não separadamente, mas como manifestações diferentes da mesma idéia, idéia essa que não queres, elas desaparecem juntas. A idéia é simplesmente essa: acreditas que é possível ser anfitrião do ego ou refém de Deus. Essa é a escolha que pensas ter e a decisão que acreditas ter que tomar. Não vês outras alternativas, pois não podes aceitar o fato de que o sacrifício não compra nada. O sacrifício é tão essencial ao teu sistema de pensamento, que a salvação à parte do sacrifício não significa nada para ti. A tua confusão entre sacrifício e amor é tão profunda que não consegues conceber amor sem sacrifício. E é para isso que tens que olhar: o sacrifício é ataque e não amor. Se aceitasses apenas essa única idéia, o teu medo do amor desapareceria. A culpa não pode durar quando a idéia do sacrifício tiver sido removida. Pois se existe sacrifício, alguém tem que pagar e alguém tem que ganhar. E a única questão que permanece é a de saber qual é o preço e para ganhar o quê.

6. Como anfitrião do ego, acreditas que podes descartar a tua culpa sempre que o quiseres e dessa forma adquirir a paz. E o pagamento não parece ser feito por ti. Embora seja óbvio que o ego exige um pagamento, nunca parece exigi-lo de ti. Não estás disposto a reconhecer que o ego, que convidaste, só é traiçoeiro para com aqueles que pensam ser seus anfitriões. O ego jamais permitirá que percebas isso, já que esse reconhecimento o deixaria sem lar. Pois quando o reconhecimento despontar com clareza, não serás iludido por nenhuma forma que o ego tome para se proteger da tua vista. Cada forma será reconhecida como apenas uma capa para a idéia única que está escondida atrás de todas elas: que o amor exige sacrifício e é, portanto, inseparável do ataque e do medo. E que a culpa é o preço do amor, que tem que ser pago pelo medo.

7. Como Deus veio a ser amedrontador para ti assim e que imenso sacrifício acreditas que o Amor de Deus exige! Pois o amor total exigiria sacrifício total. E assim o ego parece exigir menos de ti do que Deus e dos dois, o ego é julgado como o menor de dois males, um a ser um pouco temido, talvez, mas o outro a ser destruído. Pois vês o amor como destrutivo e a tua única questão é: quem deve ser destruído, tu ou um outro? Buscas responder essa questão nos teus relacionamentos especiais, nos quais pareces ser ambos, destruidor e em parte destruído, mas nunca os dois completamente. E pensas que isso te salva de Deus, Cujo Amor total te destruiria completamente.

8. Pensas que todas as pessoas fora de ti exigem o teu sacrifício, mas não vês que só tu exiges sacrifício e só de ti mesmo. No entanto, a exigência de sacrifício é tão selvagem e tão amedrontadora que não podes aceitá-la onde ela está. O preço real da não aceitação disso tem sido tão grande que preferiste desistir de Deus ao invés de olhar para isso. Pois, se Deus exigiria de ti o sacrifício total, parece mais seguro projetá-lo para fora e para longe de ti e não ser anfitrião para com Ele. Atribuíste a Ele a traição do ego, convidando o ego para tomar o Seu lugar para proteger-te Dele. E não reconheces que é aquilo que convidaste a entrar que quer destruir-te e que, de fato, exige de ti o sacrifício total. Nenhum sacrifício parcial aplacará esse hóspede selvagem, pois ele é um invasor que apenas aparenta oferecer benignidade, mas sempre para fazer com que o sacrifício seja completo.

9. Não terás sucesso sendo hóspede parcial do ego, pois ele não faz barganhas e nada te deixará. E também não podes ser seu anfitrião apenas em parte. Tens que escolher entre a liberdade total e o cativeiro total, pois não existem alternativas além dessas. Tentaste fazer muitas transigências na tentativa de evitar reconhecer a única decisão que tens que tomar. E no entanto, é o reconhecimento da decisão, exatamente como ela é, que faz com que a decisão seja tão fácil. A salvação é simples sendo de Deus e, portanto, muito fácil de compreender. Não tentes projetá-la a partir de ti mesmo e vê-la fora de ti. Em ti estão ambas, a pergunta e a resposta, a exigência do sacrifício e a paz de Deus.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Capítulo 15 – O INSTANTE SANTO 9. O instante santo e a atração de Deus

1. Assim como o ego quer limitar a tua percepção dos teus irmãos ao corpo, do mesmo modo o Espírito Santo quer liberar a tua visão e te deixar ver os Grandes Raios brilhantes que deles emanam de forma tão ilimitada que alcançam a Deus. E esse deslocamento para a visão que é realizado no instante santo. No entanto, é necessário que aprendas exatamente o que esse deslocamento acarreta de forma que venhas a estar disposto a fazer com que ele seja permanente. Dada essa disponibilidade, ele não te deixará, pois é permanente. Uma vez que o tiveres aceito como a única percepção que queres, ele é traduzido em conhecimento pela parte que o próprio Deus desempenha na Expiação, pois é o único passo nela que Ele compreende. Portanto, nisso não haverá demora assim que estiveres pronto. Deus está pronto agora, mas tu não estás.

2. Nossa tarefa não é senão a de continuar, tão rapidamente quanto possível, o processo necessário de olhar diretamente para toda interferência e vê-la tal como é. Pois é impossível reconhecer como totalmente sem gratificação aquilo que pensas que queres. O corpo é o símbolo do ego, assim como o ego é o símbolo da separação. E ambos não são mais do que tentativas de limitar a comunicação e assim fazer com que ela seja impossível. Pois a comunicação tem que ser ilimitada de modo a ter significado e, privada de significado, ela não te satisfará completamente. No entanto, continua sendo o único meio pelo qual podes estabelecer relacionamentos reais, que não têm limites, tendo sido estabelecidos por Deus.

3. No instante santo, onde os Grandes Raios substituem o corpo na consciência, o reconhecimento dos relacionamentos sem limites te é dado. Mas para ver isso, é necessário abrir mão de toda utilidade que o   ego dá ao corpo e aceitar o fato de que o ego não tem nenhum propósito que queiras compartilhar com ele. Pois o ego quer limitar todas as pessoas a um corpo para os seus próprios propósitos e enquanto pensas que ele tem um propósito, escolherás usar os meios pelos quais ele tenta transformar o próprio propósito em realização. Isso nunca será realizado. No entanto, terás certamente reconhecido que o ego, cujas metas são totalmente inatingíveis, lutará por elas com todo o seu poder e fará isso com a força que tu lhe tens dado.

4. É impossível dividir a tua força entre Céu e inferno, Deus e o ego e liberar o teu poder para a criação, que é o único propósito para o qual ele te foi dado. O amor quer sempre dar mais. Limites são exigidos pelo ego e representam as suas exigências de tornar pequeno e sem efeito. Limita o que vês de um irmão ao corpo, o que farás enquanto não o liberares do corpo, e terás negado a sua dádiva a ti. O seu corpo não a pode dar. E não a busques através do teu. No entanto, as vossas mentes já são contínuas e a única coisa necessária é que a essa união seja aceita para que a solidão no Céu tenha desaparecido.

5. Se apenas permitisses ao Espírito Santo que Ele te falasse do Amor de Deus por ti e da necessidade que têm as tuas criações de estar contigo para sempre, experimentarias a atração do eterno. Ninguém pode ouvi-Lo falar sobre isso e continuar por muito tempo disposto a pairar por aqui. Pois é tua vontade estar no Céu, onde és completo e sereno, em relacionamentos tão seguros e amorosos que qualquer limite é impossível. Não queres trocar os teus pequenos relacionamentos por isso? Pois o corpo é pequeno e limitado e só aqueles que queres ver sem os limites que o ego lhes impõe são capazes de te oferecer a dádiva da liberdade.

6. Não podes conceber os limites que traçaste para a tua percepção e não tens nenhuma idéia de toda a beleza que poderias ver. Mas disso precisas lembrar: a atração da culpa se opõe à atração de Deus. A atração de Deus por ti permanece ilimitada, mas porque o teu poder, sendo Dele, é tão grande quanto o Dele, tu podes afastar-te do amor. Aquilo que investes na culpa, retiras de Deus. E a tua vista vem a ser fraca e tênue e limitada, pois tens tentado separar o Pai do Filho e limitar a comunicação entre eles. Não busques a Expiação em maior separação. E não limites a tua visão do Filho de Deus àquilo que interfere com a sua liberação e que o Espírito Santo tem que desfazer para libertá-lo. Pois a sua crença em limites, de fato, o aprisionou.

7. Quando o corpo deixa de atrair-te e quando não conferes nenhum valor a ele como meio de conseguires o que quer que seja, então não haverá interferência na comunicação e os teus pensamentos serão tão livres quanto os de Deus. À medida em que permites que o Espírito Santo te ensine como usar o corpo só para propósitos de comunicação e renuncias a usá-lo segundo os fins que o ego vê para ele, que são a separação e o ataque, aprenderás que não tens absolutamente nenhuma necessidade de um corpo. No instante santo, não há corpos e vivencias apenas a atração de Deus. Aceitando-a sem divisões, tu te unes a Ele totalmente em um instante, pois não queres colocar nenhum limite na tua união com Ele. A realidade deste relacionamento vem a ser a única verdade que jamais poderias querer. Toda a verdade está aqui.

CAPÍTULO 15 - O INSTANTE SANTO 8. O único relacionamento real

1. O instante santo não substitui a necessidade do aprendizado, pois o Espírito Santo tem que continuar sendo o teu Professor enquanto o instante santo não se estender para muito além do tempo. Em um trabalho de ensino tal como o Seu, Ele tem que usar tudo nesse mundo para a tua liberação. Ele precisa aliar-Se com qualquer sinal ou indício da tua disponibilidade para aprender com Ele o que a verdade não pode deixar de ser. Ele é ágil em usar qualquer coisa que Lhe ofereças em favor disso. Sua preocupação e cuidado para contigo não tem limites. Diante do teu medo do perdão, que Ele percebe com tanta clareza quanto tem conhecimento de que o perdão é liberação, Ele irá ensinar-te a lembrar que o perdão não é perda, mas a tua salvação. E que no perdão completo, no qual reconheces que não há nada a perdoar, és completamente absolvido.  

2. Ouve-O com contentamento e aprende com Ele que não tens qualquer necessidade de relacionamentos especiais. Apenas buscas neles aquilo que jogaste fora. E através deles nunca aprenderás o valor do que deixaste de lado, mas ainda desejas com todo o teu coração. Vamos nos unir para fazer do instante santo tudo o que existe, desejando que ele seja tudo o que existe. O Filho de Deus tem tamanha necessidade da tua disponibilidade para te esforçares por isso, que não podes conceber uma necessidade tão grande. Contempla a única necessidade que Deus e o Seu Filho compartilham e querem satisfazer juntos. Não estás sozinho nisso. A vontade das tuas criações te chama para compartilhares a tua vontade com elas. Volta-te, então, em paz, da culpa para Deus e para elas.

3. Relaciona-te só com aquilo que nunca te deixará e que nunca poderás deixar. A solidão do Filho de Deus é a solidão de seu Pai. Não recuses a consciência da tua completeza e não busques restaurá-la para ti mesmo. Não tenhas medo de entregar a redenção ao Amor do teu Redentor. Ele não te falhará, pois Ele vem Daquele Que não pode falhar. Aceita o teu sentimento de fracasso como nada mais do que um engano a respeito de quem és. Pois o santo anfitrião de Deus está além do fracasso e nada do que é sua vontade pode ser negado. Estás para sempre em um relacionamento tão santo que ele chama todas as pessoas para escapar da solidão e unirem-se a ti no teu amor. E onde estás, lá todos têm que buscar e achar-te.

4. Pensa apenas um instante nisso: Deus te deu a Filiação para assegurar a tua criação perfeita. Essa foi  Sua dádiva, pois como Ele não Se recusou a ti, não te recusou a Sua criação. Tudo o que jamais foi criado é teu. Os teus relacionamentos são com o universo. E esse universo, sendo de Deus, está muito além da ínfima soma de todos os corpos separados que percebes. Pois todas as suas partes estão unidas em Deus através de Cristo, onde vêm a ser como seu Pai. Cristo não conhece separação em relação ao Pai, Que é o Seu único relacionamento, no qual Ele dá assim como o Pai dá a Ele.

5. O Espírito Santo é a tentativa de Deus de libertar-te daquilo que Ele não compreende. E devido à Fonte da tentativa, ela terá sucesso. O Espírito Santo te pede para responder como Deus responde, pois Ele quer ensinar-te o que não compreendes. Deus quer responder a cada necessidade, qualquer que seja a forma que ela tome. E assim Ele mantém esse canal aberto para receber a comunicação Dele a ti e a tua a Ele. Deus não compreende o teu problema de comunicação, porque Ele não o compartilha contigo. Só tu acreditas que esse problema é compreensível. O Espírito Santo sabe que não é compreensível e, no entanto, Ele o compreende porque tu o fizeste.

6. Apenas no Espírito Santo está a consciência daquilo que Deus não pode conhecer e que tu não compreendes. E a Sua função santa aceitar ambas essas coisas e através da remoção de qualquer elemento de desacordo, uni-las em uma só. Ele fará isso porque é a Sua função. Deixa, então, aquilo que para ti parece impossível para Ele Que sabe que isso não pode deixar de ser possível, porque essa é a Vontade de Deus. E deixa que Ele, Cujo ensinamento é apenas de Deus, te ensine o único significado dos relacionamentos. Pois Deus criou o único relacionamento que tem significado e esse é o Seu relacionamento contigo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

CAPÍTULO 15 - O INSTANTE SANTO 7. O sacrifício desnecessário

1. Além da pobre atração do relacionamento de amor especial e sempre obscurecida por ela, está a poderosa atração do Pai pelo Filho. Não há nenhum outro amor que possa satisfazer-te porque não há nenhum outro amor. Esse é o único amor que é inteiramente dado e inteiramente retribuído. Sendo completo, ele nada pede. Sendo totalmente puro, todas as pessoas reunidas nele têm tudo. Essa não é a base de nenhum relacionamento no qual entre o ego. Pois todo relacionamento em que o ego embarca é especial.

2. O ego estabelece relacionamentos apenas para conseguir alguma coisa. E quer manter a pessoa que dá presa a ele através da culpa. É impossível para o ego entrar em qualquer relacionamento sem raiva, pois o ego acredita que a raiva faz amigos. Não é isso o que ele afirma, mas é esse o seu propósito. Pois o ego realmente acredita que pode conseguir as coisas e mantê-las fazendo com que o outro seja culpado. Essa é a sua única atração, uma atração tão fraca que não seguraria ninguém, exceto que ninguém a reconhece. Pois o ego sempre parece atrair através do amor e não tem qualquer atração para qualquer pessoa que perceba que ele atrai pela culpa.

3. A atração doentia pela culpa tem que ser reconhecida pelo que é. Pois tendo se tornado real para ti é essencial vê-la claramente e, retirando o teu investimento nela, aprender a abandoná-la. Ninguém escolheria abandonar aquilo que acredita que tenha valor. No entanto, a atração da culpa só tem valor para ti porque não olhaste para o que ela é e a julgaste completamente no escuro. À medida que a trazemos à luz, a tua única questão será a razão pela qual algum dia a quiseste. Não tens nada a perder olhando-a de olhos abertos, pois tamanha feiúra não tem lugar na tua mente santa. Esse anfitrião de Deus não pode ter nenhum investimento real nisso.

4. Dissemos antes que o ego tenta manter e aumentar a culpa, mas de tal forma que não reconheças o que ele quer te fazer. Pois a doutrina fundamental do ego é que escapas daquilo que fazes aos outros. O ego não quer bem a ninguém. No entanto, a sobrevivência do ego depende de acreditares que estás isento das suas más intenções. Ele aconselha, portanto, que se fores seu anfitrião, ele te capacitará a dirigir a tua raiva para fora, protegendo-te dessa forma. E assim ele embarca em uma cadeia sem fim e sem recompensa de relacionamentos especiais forjados na raiva e dedicados apenas a uma crença insana: a de que quanto mais raiva investes fora de ti mesmo, mais seguro vens a ser.

5. É essa a corrente que prende o Filho de Deus à culpa e é essa corrente que o Espírito Santo quer remover da tua mente santa. Pois a corrente da selvageria não tem lugar em volta do anfitrião escolhido de Deus, que não pode fazer de si mesmo o anfitrião do ego. Em nome da tua liberação e em Nome Daquele Que quer liberar-te, vamos olhar mais de perto para os relacionamentos que o ego contrai e permitir que o Espírito Santo os julgue verdadeiramente. Pois é certo que se olhares para eles, tu os oferecerás alegremente a Ele. O que o Espírito Santo é capaz de fazer com eles, tu não sabes, mas virás a estar disposto a descobrir se em primeiro lugar estiveres disposto a perceber o que tu fizeste deles.

6. De uma forma ou de outra, todo relacionamento que o ego faz se baseia na idéia de que sacrificando-se, ele vem a ser maior. O "sacrifício", que ele vê como purificação, de fato, é a raiz de seu amargo ressentimento. Pois ele preferiria atacar diretamente e evitar o adiamento do que realmente quer. Entretanto, o ego toma conhecimento da "realidade" conforme a vê e reconhece que ninguém poderia interpretar o ataque direto como amor. Entretanto, tornar culpado é ataque direto, embora não pareça ser. Pois os culpados esperam o ataque e tendo-o pedido, são atraídos para ele.

7. Em tais relacionamentos insanos, a atração do que não queres parece ser muito mais forte do que a atração do que queres. Pois cada um pensa que sacrificou alguma coisa pelo outro e o odeia por isso. No entanto, e isso o que ele pensa que quer. Ele não está absolutamente apaixonado pelo outro. Apenas acredita que está apaixonado pelo sacrifício. E por esse sacrifício, que exige de si mesmo, ele exige do outro que aceite a culpa e também se sacrifique. O perdão vem a ser impossível, pois o ego acredita que perdoar o outro é perdê-lo. E apenas através do ataque sem perdão que o ego pode assegurar a culpa que mantém todos os seus relacionamentos juntos.

8. No entanto, eles apenas aparentam estar juntos. Pois para o ego os relacionamentos significam apenas que os corpos estão juntos. É sempre isso o que o ego exige e não se opõe que a mente vá a qualquer lugar ou ao que ela possa pensar, pois isso não parece importante. Enquanto o corpo estiver lá para receber seu sacrifício, ele está contente. Para o ego, a mente é algo privado e só o corpo pode ser compartilhado. As idéias basicamente não oferecem interesse, a não ser na medida em que trazem o corpo do outro para mais perto ou para mais longe. E é nesses termos que ele avalia as idéias como boas ou más. O que faz com que o outro seja culpado e o mantém através da culpa é "bom". O que o libera da culpa é "mau", porque ele não mais acreditaria que os corpos se comunicam e assim "iria embora".

9. O sofrimento e o sacrifício são as dádivas com as quais o ego quer "abençoar" todas as uniões. E aqueles que estão unidos no seu altar aceitam o sofrimento e o sacrifício como o preço da união. Em suas alianças de raiva, nascidas do medo da solidão e ainda assim dedicadas à continuidade da solidão, cada um busca alívio da culpa aumentando-a no outro. Pois cada um acredita que isso diminui a culpa em si mesmo. O outro parece estar sempre atacando-o e ferindo-o, talvez de pequenas maneiras, talvez "inconscientemente", mas nunca sem a exigência do sacrifício. A fúria dessas pessoas reunidas no altar do ego excede em muito a consciência que podes ter disso. Pois o que o ego realmente quer, tu não te dás conta.

10. Sempre que estiveres com raiva, podes estar certo de que formaste um relacionamento especial "abençoado" pelo ego, pois a raiva é a benção do ego. A raiva toma muitas formas, mas não pode enganar por muito tempo aqueles que querem aprender que o amor não traz qualquer culpa e que aquilo que traz culpa, não pode ser amor e tem que ser raiva. Toda raiva nada mais é do que uma tentativa de fazer alguém sentir-se culpado e essa tentativa é a única base que o ego aceita para os relacionamentos especiais. A culpa é a única necessidade que o ego tem e enquanto te identificares com ele, a culpa continuará sendo atraente para ti. No entanto, lembra-te disso: estar com um corpo não é comunicação. E se pensas que é, te sentirás culpado em relação à comunicação e terás medo de ouvir o Espírito Santo reconhecendo na Sua Voz a tua própria necessidade de comunicar-te.

11. O Espírito Santo não pode ensinar através do medo. E como pode Ele comunicar-Se contigo, enquanto acreditas que comunicar-te é fazer de ti mesmo um ser sozinho? É claramente insano acreditar que através da comunicação serás abandonado. Apesar disso, muitas pessoas acreditam que seja assim. Pois pensam que as suas mentes têm que ser mantidas privadas ou as perderão, mas se os corpos estão juntos, as mentes continuam sendo de cada um. A união dos corpos vem a ser, então, a maneira pela qual querem manter as mentes separadas. Pois corpos não podem perdoar. Eles só podem fazer o que a mente lhes indica.

12. A ilusão da autonomia do corpo e sua capacidade de superar a solidão não passa de uma obra do plano do ego para estabelecer apropria autonomia. Enquanto acreditares que estar com um corpo é ter companhia, serás compelido a tentar manter o teu irmão em seu corpo, preso pela culpa. E verás segurança na culpa e perigo na comunicação. Pois o ego sempre ensinará que a solidão é solucionada através da culpa e que a comunicação é a causa da solidão. E apesar da evidente insanidade dessa lição, muitos aaprenderam.

13. O perdão está na comunicação com tanta certeza quanto a perdição está na culpa. A função de ensino do Espírito Santo é instruir aqueles que acreditam que a comunicação é perdição no sentido de mostrar que a comunicação é salvação. E Ele fará isso, porque o poder de Deus Nele e em ti está unido em um relacionamento real tão santo e tão forte que é capaz de superar até mesmo isso sem medo.

14. É através do instante santo que o que parece ser impossível é realizado, tornando evidente que não é impossível. No instante santo, a culpa não tem atração já que a comunicação foi restaurada. E a culpa, cujo único propósito é romper a comunicação, não tem função aqui. Aqui não há o que ocultar e não há pensamentos privados. A disposição de comunicar-se atrai a si a comunicação e supera completamente a solidão. Existe perdão completo aqui, pois não existe nenhum desejo de excluir ninguém da tua completeza, reconhecendo repentinamente o valor da parte de cada um nela. Na proteção da tua integridade todos são convidados e bem-vindos. E compreendes que a tua completeza é a completeza de Deus, Cuja única necessidade é que tu sejas completo. Pois a tua completeza faz com que sejas Dele na tua consciência. E é aqui que vivências a ti mesmo como foste criado e como és.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

CAPÍTULO 15 - O INSTANTE SANTO 6. O instante santo e as leis de Deus

1. É impossível usar um relacionamento às custas de outro e não sofrer culpa. E é igualmente impossível condenar parte de um relacionamento e achar paz dentro dele. Sob o ensinamento do Espírito Santo, todos os relacionamentos são vistos como compromissos totais e, apesar disso, não entram em conflito um com o outro de forma alguma. A fé perfeita em cada um deles, pela capacidade de cada um de satisfazer- te completamente, surge apenas da fé perfeita em ti mesmo. E isso não podes ter enquanto a culpa permanecer. E haverá culpa enquanto aceitares e valorizares a possibilidade de fazer de um irmão o que ele não é, porque queres que ele assim seja.  

2. Tens tão pouca fé em ti mesmo porque não estás disposto a aceitar o fato de que o amor perfeito está em ti. E assim buscas do lado de fora o que não podes achar do lado de fora. Eu te ofereço a minha fé perfeita em ti no lugar de todas as tuas dúvidas. Mas não te esqueças de que a minha fé tem que ser tão perfeita em todos os teus irmãos como é em ti, ou seria uma dádiva limitada para ti. No instante santo nós compartilhamos nossa fé no Filho de Deus porque reconhecemos, juntos, que ele é totalmente digno dela e em nossa apreciação do seu valor não podemos duvidar da sua santidade. E assim nós o amamos.

3. Toda separação desaparece à medida que a santidade é compartilhada. Pois a santidade é poder e ao compartilhá-la ela ganha em força. Se buscas satisfação gratificando as tuas necessidades conforme as percebes, tens que acreditar que a força vem de outro e que o que tu ganhas, ele perde. Alguém tem sempre que perder se tu te percebes fraco. No entanto, há uma outra interpretação dos relacionamentos que transcende o conceito de perda de poder completamente.

4. Não achas difícil acreditar que quando uma outra pessoa invoca Deus em busca de amor, o teu próprio chamado permanece igualmente forte. E nem pensas que quando Deus responde a ela, diminui a tua esperança de ser respondido. Ao contrário, estás mais inclinado a considerar o seu sucesso como uma testemunha da possibilidade do teu. Isso acontece porque reconheces, por mais vagamente que seja, que Deus é uma idéia e assim a tua fé Nele é reforçada pelo compartilhar. O que achas difícil aceitar é o fato de que, como teu Pai, tu és uma idéia. E como Ele, podes dar de ti mesmo de forma completa sem perder coisa alguma, apenas ganhando. Aqui está a paz, pois aqui não há conflito.

5. No mundo da escassez, o amor não tem significado e a paz é impossível. Pois o ganho e a perda são ambos aceitos e assim ninguém tem consciência de que o amor perfeito está dentro de si. No instante santo, reconheces a idéia do amor em ti mesmo e unes essa idéia com a Mente que a pensou e não poderia abandoná-la. Mantendo-a dentro de si mesma, não há perda. Assim o instante santo vem a ser uma lição que ensina como manter todos os teus irmãos na tua mente, experimentando não a perda, mas a completeza. Daí se segue que só podes dar. E isso é amor, pois só isso é natural sob as leis de Deus. No instante santo, as leis de Deus prevalecem e só elas têm significado. As leis desse mundo deixam de ter qualquer significado. Quando o Filho de Deus aceita as leis de Deus como o que Ele quer com contentamento, é impossível que fique preso ou limitado de qualquer maneira.Nesse instante, ele é tão livre quanto Deus quer que ele seja. Pois no instante em que se recusa a ser limitado, não é mais limitado.

6. No instante santo não acontece nada que não tenha sido sempre. Somente o véu que havia sido colocado sobre a realidade é erguido. Nada mudou. No entanto, a consciência da imutabilidade vem rapidamente à medida em que o véu do tempo é posto de lado. Ninguém que não tenha ainda vivenciado o levantar do véu e se sentido irresistivelmente atraído para a luz que está por trás, pode ter fé no amor sem medo. No entanto, o Espírito Santo te dá essa fé, porque Ele a ofereceu a mim e eu a aceitei. Não tenhas medo de que o instante santo te seja negado, pois eu não o neguei. E através de mim, o Espírito Santo o dá a ti como tu o darás. Não permitas que nenhuma necessidade que percebas obscureça a tua necessidade disso. Pois no instante santo, irás reconhecer a única necessidade que os Filhos de Deus compartilham igualmente e através deste reconhecimento te unirás a mim no oferecimento do que é necessário.

7. É através de nós que a paz virá. Une-te a mim na idéia da paz, pois em idéias as mentes podem se comunicar. Se queres dar de ti mesmo como o teu Pai dá o Seu próprio Ser aprenderás a compreender a natureza do Ser. E aí o significado do amor é compreendido. Mas lembra-te de que a compreensão é da mente e só da mente. O conhecimento é, portanto, da mente e as suas condições estão na mente com ele. Se não fosses uma idéia e nada além de uma idéia, não poderias estar em total comunicação com tudo o que sempre existiu. No entanto, enquanto preferires ser alguma outra coisa ou tentares não ser nenhuma outra coisa e alguma outra coisa ao mesmo tempo, não irás lembrar-te da linguagem da comunicação que conheces perfeitamente.

8. No instante santo Deus é lembrado e a linguagem da comunicação com todos os teus irmãos é lembrada com Ele. Pois a comunicação é lembrada em conjunto, como a verdade. Não existe exclusão no instante santo porque o passado se foi e com ele se vai tudo o que constituía a base da exclusão. Sem a sua fonte, a exclusão desaparece. E isso permite à tua Fonte e A de todos os teus irmãos, substituí-la na tua consciência. Deus e o poder de Deus tomarão o Seu lugar de direito em ti e vivenciarás a plena comunicação de idéias com idéias. Através da tua capacidade de fazer isso, aprenderás o que não podes deixar de ser, pois começarás a compreender o que é o teu Criador e o que é a criação junto com Ele.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

CAPÍTULO 15 - O INSTANTE SANTO 5. O instante santo e os relacionamentos especiais

1. O instante santo é o instrumento de aprendizado mais útil do Espírito Santo para te ensinar o significado do amor. Pois o seu propósito é suspender inteiramente o julgamento. O julgamento sempre se baseia no passado, pois a experiência passada é a base sobre a qual julgas. O julgamento vem a ser impossível sem o passado, pois sem ele não compreendes nada. Não farias nenhuma tentativa de julgar, porque seria bastante evidente para ti que não compreendes o que as coisas significam. Tens medo disso porque acreditas que, sem o ego, tudo seria o caos. No entanto, eu te asseguro que sem o ego, tudo seria amor.

2. O passado é o instrumento de ensino principal do ego, pois foi no passado que aprendeste a definir as tuas próprias necessidades e adquiriste métodos para satisfazê-las em teus próprios termos. Nós temos dito que limitar o amor a uma parte da Filiação e trazer a culpa para os teus relacionamentos e assim fazer com que sejam irreais. Se buscas separar certos aspectos da totalidade e olhar para eles de forma que satisfaçam as tuas necessidades imaginárias, estás tentando usar a separação para salvar-te. Como, então, poderia a culpa não entrar? Pois a separação é a fonte da culpa e apelar para ela em busca de salvação é acreditar que estás sozinho. Estar sozinho é ser culpado. Pois sentir-te sozinho é negar a Unicidade do Pai e de Seu Filho e assim atacar a realidade.

3. Não podes amar partes da realidade e compreender o que o amor significa. Se queres amar de modo diferente de Deus, Que não conhece amor especial, como podes compreender o amor? Acreditar que relacionamentos especiais, com amor especial podem te oferecer a salvação é acreditar que a separação é salvação. Pois é na completa igualdade da Expiação que está a salvação. Como podes decidir que aspectos especiais da Filiação podem te dar mais do que outros? O passado te ensinou isso. Entretanto, o instante santo te ensina que não é assim.

4. Devido à culpa, todos os relacionamentos especiais têm elementos de medo. E por isso que variam e mudam tão freqüentemente. Eles não se baseiam apenas em amor imutável. E o amor, ali onde entrou o medo, não merece total confiança porque não é perfeito. Em Sua função como Intérprete do que fizeste, o Espírito Santo usa os relacionamentos especiais, que escolheste para dar apoio ao ego, como experiências de aprendizado que apontam para a verdade. Sob o Seu ensinamento, todo relacionamento vem a ser uma lição de amor. 

5. O Espírito Santo sabe que ninguém é especial. No entanto, Ele também percebe que fizeste relacionamentos especiais, que Ele quer purificar e não deixar que destruas. Não importa quão pouco santa seja a razão pela qual tu os fizeste, Ele pode traduzi-los em santidade, removendo tanto medo quanto tu Lhe permitires. Podes colocar qualquer relacionamento sob os Seus cuidados e estar seguro de que não resultará em dor, se Lhe ofereceres a tua disponibilidade para que o relacionamento não sirva à necessidade alguma que não seja a do Espírito Santo. Toda culpa no relacionamento surge do uso que fazes dele. Todo o amor, do uso do Espírito Santo. Não tenhas, portanto, medo de abandonar as tuas necessidades imaginárias que iriam destruir o relacionamento. A tua única necessidade é a do Espírito Santo.

6. Qualquer relacionamento que queiras substituir por outro não foi oferecido ao Espírito Santo para que Ele o use. Não há nenhum substituto para o amor. Se queres tentar substituir um aspecto do amor por outro, puseste menos valor em um do que no outro. Não só os separaste, como também julgaste contra ambos. No entanto, julgaste em primeiro lugar contra ti mesmo, ou nunca terias imaginado que precisavas de teus irmãos como eles não são. A não ser que tivesses visto a ti mesmo como alguém sem amor, não poderias tê-los julgado tão semelhantes a ti em carência.

7. O uso que o ego faz dos relacionamentos é tão fragmentado que ele freqüentemente vai ainda mais longe: uma parte de um aspecto serve aos seus propósitos, enquanto ele prefere partes diferentes de um outro aspecto. Assim, monta a realidade de acordo com o seu próprio gosto caprichoso, oferecendo à tua busca um retrato que não é semelhante a nada que exista. Pois não há nada no Céu ou na terra a que ele se pareça e assim não importa o quanto busques essa realidade, não a poderás achar porque não é real.

8. Todas as pessoas na terra formaram relacionamentos especiais e embora isso não seja assim no Céu, o Espírito Santo sabe como trazer um toque do Céu a esses relacionamentos aqui. No instante santo ninguém é especial, pois as tuas necessidades pessoais não invadem ninguém para fazer os teus irmãos parecerem diferentes. Sem os valores do passado, tu os verias a todos como o mesmo e iguais a ti. E também não verias nenhuma separação entre tu e eles. No instante santo, vês em cada relacionamento o que ele será quando perceberes apenas o presente.

9. Deus te conhece agora. Ele não Se lembra de nada, tendo sempre conhecido a ti exatamente como te conhece agora. O instante santo reflete o Seu conhecimento trazendo toda a percepção para fora do passado e assim removendo o quadro de referências que construíste para julgar os teus irmãos. Uma vez que ele se tenha ido, o Espírito Santo o substitui pelo Seu quadro de referências. Seu quadro de referências é simplesmente Deus. A intemporalidade do Espírito Santo só é encontrada aqui. Pois no instante santo, livre do passado, vês que o amor está em ti mesmo e não tens necessidade de olhar para fora e arrancar culposamente o amor de onde pensavas que ele estivesse.

10. Todos os teus relacionamentos são abençoados no instante santo, porque a benção não é limitada. No instante santo, a Filiação ganha como um só e unida na tua benção, ela vem a ser una para ti. O significado do amor é o significado que Deus deu a ele. Dá ao amor qualquer significado que não seja o de Deus e será impossível compreendê-lo. Deus ama a cada irmão como Ele te ama, nem mais nem menos. Ele precisa de todos igualmente e de ti também. No tempo, te foi dito para ofereceres milagres segundo a minha orientação e deixar o Espírito Santo trazer a ti aqueles que estão te buscando. No entanto, no instante santo, te unes diretamente a Deus e todos os teus irmãos se reunem em Cristo. Aqueles que estão reunidos em Cristo não estão de forma alguma separados. Pois Cristo é o Ser que a Filiação compartilha, assim como Deus compartilha Seu Ser com Cristo.

11. Pensas que podes julgar o Ser de Deus? Deus O Criou além do julgamento em função da Sua necessidade de estender o Amor. Com o amor em ti mesmo, não tens necessidade alguma, a não ser a de estendê-lo. No instante santo não existe conflito de necessidades, pois existe apenas uma. Pois o instante santo alcança a eternidade e a Mente de Deus. E é apenas lá que o amor tem significado e apenas lá pode ser compreendido.